sábado, 18 de julho de 2015

POESIA MORTAL

É só deixar o mar bater no corpo. sentir a fúria selvagem da onda dar onda na minha cabeça. basta um mergulho e o fundo desaparece. cresce por dentro o infinito. a imensidão toda das águas cabe nos orbitais dos olhos em órbita no azul profundo. nenhum piscar. o mundo lá fora adormece. acorda o corpo o que não tem corpo e invade o ser pelos poros. a pele retendo o mar pra matar a sede de paz que nunca se alcança. a ilusão é nicotina. o vício a necessidade de escapar. punhos fechados pro alto. liberdade. essa palavra inalcançável pendurada nas asas de todas as borboletas. de todas as cores. nem branca nem negra. porque só sei concebê-la colorida. um dia quando o amor for possível o casulo será rompido. a dor de ter de amarrar as asas finalmente cessará. o coração da África baterá no coração do mundo como um tambor acordando a humanidade. tomara que não seja tarde como essa madrugada crescente que não me deixa dormir. e que, até lá, o mar, meu companheiro de sempre, não me devore com sua poesia mortal.

(RaiBlue)

*Simplesmente extasiada com o filme "Borboletas Negras" !

Versão em áudio: https://soundcloud.com/raiblue-sales/a-poesia-mortal-do-mar


https://soundcloud.com/raiblue-sales/a-poesia-mortal-do-marhttps://soundcloud.com/raiblue-sales/a-poesia-mortal-do-mar