quinta-feira, 6 de agosto de 2015

DOIS MARES SELVAGENS

E a barba dele roçava meus pensamentos numa insistência do corpo em sentir...e o dia acordava com o arrepio da pele ainda exposta aos seus pelos, arranhando toda minha resistência em não querer pensar...mas os poros não esquecem dos macios fios do desejo atropelando a calma da noite sem aviso prévio...no fundo, eu gostava da desordem que me provocava, chegando, assim, sem planos nem promessas... apenas ele, nu, sem nenhuma bagagem. Éramos iguais: dois mares selvagens que se cruzavam no oceano do tempo, sabendo que tudo é movimento, e que temos que aproveitar a onda...naufragar no mergulho em nós mesmos. E basta.

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(RaiBlue)