Bateu a porta e se bateu no mundo, ainda arranhada de amor. Mas agora estava decidida a não mais voltar. Doer lhe inspirava a essas saídas de si, para lugar algum.
Dobrou a primeira esquina. Entrou no primeiro bar - embriagar-se é a melhor forma de esquecer - escreveu num guardanapo. Foi quando ele se aproximou por trás dela e sussurrou-lhe, quase que roçando a barba em seu ouvido:
- Quer um copo de vodca, princesa?
Ela amassou o guardanapo e, se roçando na barba dele, falou:
- Não. Hoje eu quero um corpo em cólera, quente, bem quente e sem gelo. Aliás, um gelo até que cairia bem...O que você acha?
Num misto de susto e excitação, ele respondeu:
- Na minha casa ou na sua?
Ainda sem se olharem nos olhos, ela segurou uma das mãos dele e a direcionou até o seu ventre. Entre o vestido e sua pele não havia nada.
- Aqui e agora - respondeu. E quando terminou de pronunciar a última sílaba, mergulhou os dedos dele em toda sua luxúria. Pegou uma pedra de gelo colocou na boca e lhe ofereceu.
- Agora venha me refrescar... - pronunciou num tom de quem domava um bicho.
Para ela, seria uma válvula de escape. Para ele, não havia como escapar ( e nem queria). E os gritos de Janis, cantando Maybe, embalavam os gemidos deles. Não tinham certeza de nada do que aconteceria amanhã. Bebiam aos goles o hoje.
Ela arranhava a carne dele como quem arranhava o amor. E estava apenas começando ...Agora seria ela quem devoraria sem piedade.
Para um bicho, outro.
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(RaiBlue)





