sábado, 25 de abril de 2015

ESCORRIA...

Parecia. ninguém sabia o que era. sempre era algo que poderia ser. sem nenhuma certeza ia sendo. parecia ser. era ali que habitava. em um futuro do pretérito perfeito. morava na ficção. na fração de minutos que criava. voava. chão feito de nuvens. nevava vez em quando só para brincar. para esquiar no vento de suas montanhas lúdicas. movimentava o ar num sopro. ar rumava enredo. um trecho. depois outro. pedaços soltos que se encontravam no meio de sua bagunça. bagagem feita de chuva que sempre caía no quintal do seu pensamento. tempestades. tisunamis invadiam sua casa-caos-asa. carregava tudo consigo. cada segundo de algum lugar. cada pessoa. ajeitava tudo pra caber. gestos. palavras. silêncios. só não cabia em si. sempre por um se ia sendo. mesmo não sabendo o quê. parecia transbordar. mas bordava no avesso um vazio. coração vazado batendo no mundo. surdo. surto. saliva. a língua derramada no papel. sua camisa de força. de vênus. por instantes era. sabia pelo gozo. molhava. era sua umidade mais abundante. quando a palavra jorrava vida em seu peito seco. e escorria até o meio das pernas. era o sangue do coração. era menstruação. era toda ela ali sendo. doída e doida. qualquer coisa já era alguma. e a salvava das longas ausências de si. soltava os guarda-chuvas. e deixava-se escorrer.podia-se ouvir suas gargalhadas no final.


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(RaiBlue)


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